| Sob pressão, Invista cancela punições injustas
Multinacional, em Paulínia, instala ilegalmente câmera espiã e ainda pune trabalhadores que exigiram cumprimento da lei
Apanhada em flagrante delito ao infringir a lei e instalar câmera de vídeo para espionar seus trabalhadores, a Invista Tecnologia Têxtil, sediada em Paulínia, para se safar da situação tentou inverter as responsabilidades e puniu quatro trabalhadores com afastamento de suas funções sob a alegação de que eles estariam cometendo assédio moral sobre a encarregada do setor patrimonial, em 13 de abril.
Assembleia na Invista exige cumprimento do acordo coletivo da categoria (07abril10)
No dia 16, o Unificados realizou uma assembleia com todos os trabalhadores, expôs o ocorrido e, por unanimidade, foi tomada a decisão de exigir da multinacional o imediato retorno dos quatro trabalhadores a suas funções. Caso contrário haveria paralisação na produção.
Pressionada, a Invista não teve outra alternativa que não há de reverter sua decisão. O RH, conforme procedimento indicado na assembleia, entregou um documento a cada um dos trabalhadores punidos, estabelecendo o retorno deles às atividades no dia 19 de abril, sem qualquer outra punição e sem o desconto dos dias parados.
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Independente desta vitória no campo político e da pressão dos trabalhadores diretamente no chão da fábrica, o Sindicato Químicos Unificados protocolará no Ministério Público uma ação contra a Invista para que ele seja responsabilizada pela ilegalidade cometida.
A HISTÓRIA
Quando tomavam café em área interna de descanso na Invista, os trabalhadores notaram que no forro foram colocados fiação e algo semelhante a uma luz de emergência. Como a multinacional pratica de forma rotineira e constante o assédio moral, o grupo, com aproximadamente 20 trabalhadores, desconfiou de que algo estava errado e pediu ao supervisor informações sobre os objetivos da instalação. Ele alegou nada saber.
Câmera ilegal
Trabalhadores eletricista examinaram mais de perto e constataram ser uma câmera de vídeo oculta. Obviamente, ali ela fora colocada pela empresa para gravar e espionar as conversas dos trabalhadores durante o horário de descanso.
Essa prática é proibida por lei por tratar-se de constrangimento e assédio moral. A legislação permite a instalação de câmeras apenas em áreas de segurança patrimonial, como, por exemplo, na portaria, cercas, estacionamentos etc.
Assumiu, mas inverteu
Chamado, o encarregado do setor patrimonial de início disse que o equipamento era “apenas uma luminária”. Contradito pelos eletricistas, ele assumiu que era uma câmera e que havia autorizado sua instalação.
Ainda tentou justificar como sendo “apenas um teste”, mas não conseguiu comprovar isso. A partir daí, começou a dizer que estava em sendo assediado moralmente pelos trabalhadores.
Na sequência, sete do grupo de 20 trabalhadores foram chamados aos recursos humanos. Destes sete, quatro foram dispensados do trabalho e informados de que deveriam aguardar em casa as decisões que a Invista tomaria sobre eles.
Os trabalhadores denunciaram o ocorrido ao Unificados, que no dia 16 fez a assembleia que terminou por obrigar a multinacional a rever sua posição.
Mobilização
Atualmente, os trabalhadores da Invista estão mobilizados e participam de constantes assembleias com o objetivo de fazer com que a Invista cumpra os itens que desrespeita no acordo coletivo da categoria, com destaque para terceirização irregular na produção e a constante prática do ilegal assédio moral.
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