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Manifesto de Fundação

 

Paraibuna-SP, 2 e 3 de março de 2002

 

O Sindicato dos Químicos Unificados, que abrange as regiões de Campinas, Osasco e Vinhedo, surge da necessidade de unificar a luta dos trabalhadores e da construção de um sindicato forte, atuante, representativo e capaz de responder à ofensiva neoliberal por parte do governo FHC e patrões que procuram suprimir direitos dos trabalhadores conquistados em décadas de muita luta.

 

Divergência política faz nascer a Esquerda Química

O processo de unificação dos sindicatos do ramo químico da CUT – Central Única dos Trabalhadores foi uma discussão muito presente nos congressos e encontros da CNQ - Confederação Nacional dos Químicos, mas que infelizmente não chegou a ser implementado. A disputa de rumos na CNQ sempre foi polarizada entre a corrente majoritária da CUT, a Articulação sindical, e o campo à esquerda da CUT, que no caso do ramo químico ficou nacionalmente conhecida como Esquerda Química.

A Esquerda Química, surgida em 1995, se constituiu como uma frente de sindicalistas do ramo químico em todo o Brasil, com uma visão de que era necessário um combate mais radical às políticas neoliberais promotoras do aumento da fome, da miséria e do desemprego, além da necessidade de resgatar os ideais que orientaram a formação da CUT, como o sindicalismo classista, democrático, combativo e defensor da superação da exploração capitalista e construção de uma nova sociedade justa e democrática, o socialismo.

 

Os conflitos e divergências no âmbito da CUT e da CNQ entre a corrente majoritária, com uma visão conciliadora e moderada, e a esquerda, com perfil intransigente na defesa de interesses históricos dos trabalhadores, estiveram presentes em diversos encontros e congressos. Exemplos históricos dessas divergências foram os acordos de “banco de horas”, defendidos pela corrente majoritária, e a negociação da reforma da Previdência em 1997, por parte da direção majoritária da CUT, o que prejudicou os trabalhadores. Também destacaram-se divergências profundas em relação à democracia sindical, onde os setores da esquerda da CUT sempre defenderam convenções democráticas nessa entidade, diretorias colegiadas, proporcionalidade qualificada nas composições de direções sindicais, e foram sempre contrários à famigerada idéia de sindicato orgânico, que é um instrumento de centralização burocrática e supressão da democracia construída a partir da base.

 

A Esquerda Química, como uma frente de sindicalistas do ramo químico em todo o Brasil no campo da CUT, foi constituída formalmente em 1996 no 1º Encontro Unificado dos Químicos do Interior do Estado de São Paulo. A idéia de uma ação conjunta já vinha sendo discutida por estes sindicalistas desde 1995, com a perspectiva de unificar as lutas dos trabalhadores químicos e plásticos de diferentes cidades do Estado, dentro de óticas políticas e de mobilizações diferentes das empregadas pelo agrupamento majoritário da Central.

 

Naquele ano, a conjuntura do movimento sindical mostrava urgência e necessidade de uma iniciativa desse tipo. Dirigentes de sindicatos cutistas de Campinas, Osasco, São José dos Campos, Vinhedo e à época também Sorocaba, mais alguns membros da direção do Sindicato dos Químicos e Plásticos de São Paulo (capital) estavam muito descontentes com a direção dada pela corrente majoritária da CUT na CNQ, pois as campanhas salariais estavam mornas, sem mobilização dos trabalhadores nas fábricas e nas ruas, sendo quase que exclusivamente voltada a negociação de agenda propositiva e temática, bem ao gosto do patrões, sem enfrentamento, conflitos, mobilizações e lutas.

 

Sob esse quadro, sindicalistas de esquerda com a prática da mobilização, de combate e organização na base com a bandeira da necessidade, decidiram que era preciso romper com os rumos políticos que a CNQ imprimia em suas ações e campanhas, inclusive as salariais. Esses sindicalistas resolveram unificar suas atividades e passar a intervir em conjunto na CNQ, com o objetivo de forçá-la a retomar a postura classista, combativa e de lutas. Em 1996, com a realização de um encontro Unificado dos Sindicatos do Interior de São Paulo, ficou firmado o compromisso de ação conjunta entre as entidades participantes. Um exemplo dessas ações foram os mutirões de campanha salarial, com ampla mobilização nas principais fábricas das categorias envolvidas.

 

É nesse contexto que se inicia a construção do processo de unificação desses sindicatos, cujo marco maior foi o plebiscito realizado em julho de 2001, onde 93% dos trabalhadores(as) da base dos sindicatos das regiões de Campinas, Osasco, São José dos Campos e Vinhedo disseram sim a unificação, que se formalizará nesse Congresso de Unificação.

 


Nossos principais objetivos

A construção do Sindicato Químicos Unificados é forjada nas lutas, mobilizações e na compreensão comum de que o sindicalismo cutista não pode perder seu perfil classista, democrático, combativo e comprometido com os ideais históricos dos trabalhadores pelo fim da exploração, da opressão, da miséria e em defesa de uma sociedade socialista.

 

Nossa unificação e críticas à corrente majoritária da CUT não significam nosso afastamento dessa importante central sindical. Muito pelo contrário, renovamos nosso compromisso de participar junto com outros sindicatos e correntes sindicais que tenham como objetivo resgatar os ideais expressos no congresso de fundação da CUT, enquanto uma central sindical classista, democrática, com independência de classe, internacionalista e de luta pelo socialismo.

 

Finalmente, conclamamos todos os delegados e delegadas presentes nesse Congresso de Unificação para que assumam com a direção eleita do Sindicato Químicos Unificados a construção de um sindicato forte, representativo, atuante, democrático, organizado pela base e comprometido com os interesses dos trabalhadores e que não se omitirá nas lutas e mobilizações do povo brasileiro em busca de uma nova sociedade, sem explorados e exploradores, uma sociedade socialista.

 

A nossa presença significativa no Fórum Social Mundial e em outros eventos internacionais de solidariedade e troca de experiências expressa também nosso compromisso internacionalista e nossa visão de que a luta dos trabalhadores é internacional, pois defendemos a idéia da necessidade de que os trabalhadores do mundo devem unir-se pela superação do capitalismo, e de que um novo mundo é possível, sem desigualdade, sem injustiça, sem miséria e sem exploração e opressão.