Adicione aos Favoritos Fale com a gente Rss Mapa do Site Indique a um amigo

Busca

Página Principal

Quem Somos

Matérias em Espanhol

Nossos Endereços

Departamentos

Formação e Lazer

Convênios

Sindicalize-se

Opinião

De Olho na Fábrica

Lutas do Dia-a-Dia

Campanha Salarial

Nossas publicações

Crimes Ambientais

Organização de Classe

Lutas Gerais

Galeria de Fotos

Vídeos

Páginas Amigas

Fale com a Gente

Mapa do Site

Informativos

Cadastre-se para receber os informativos com notícias do Sindicato.

  Nome:

 

  Email:

 

Região:

 

 

Lutas do Dia-a-Dia

17 de julho de 2010

Agrotóxicos afetam comunidade em MS

Agricultores de Fátima do Sul apresentam náuseas, depressão e cometem suicídio após usarem inseticidas. Problema se agrava porque os lavradores não têm ou não sabem usar equipamentos para se proteger do veneno

Agrotóxicos afetam comunidade em MS

 




MARCELLE SOUZA

ESPECIAL PARA A FOLHA

A tristeza aparente aponta que é dia de velório. O cheiro, que atravessa os cômodos, faz parentes e curiosos saírem para o quintal. O odor expõe o motivo daquela morte: Mauro de Souza Lucas cometeu suicídio com veneno da lavoura de algodão. A cena, na zona rural do município de Fátima do Sul (MS), seria um caso isolado se o cheiro não fizesse parte de outros velórios ali.

Lucas havia brigado com um irmão em uma festa de fim de ano e, de volta para casa, foi direto para o quarto dos agrotóxicos. Escolheu um dos mais fortes e bebeu.

"Um vizinho levou-o para o hospital, ele acabou de morrer lá", diz Antônia de Souza Lucas, 64, "uns 14" filhos. "Era veneno brabo, não lembro o nome, mas era veneno de algodão, fedido."

O episódio ocorreu há quase dez anos, mas o cheiro do velório ainda não saiu do nariz de Antônia. Mauro tinha 26 anos quando morreu. Ela não sabe por que o filho se matou. "Era uma nervosia, muita raiva, ele pôs na cabeça e se matou logo."


FALTA DE PROTEÇÃO

Fátima do Sul, cidade de 18 mil habitantes a 242 km de Campo Grande, foi criada em 1943 no governo Getúlio Vargas como polo agrícola. Predominam os sítios de três a dez hectares de imigrantes nordestinos.

Ali, fala-se dos nomes de agrotóxicos com intimidade: Barrage, Folidol, Azodrin, Tamaron, 2,4D e 3,10.

A maioria desses produtos pertence à família dos inseticidas organofosforados, derivados do ácido fosfórico, e são usados para combater pragas em culturas diversas. O contato com eles alterou o conceito de saúde dos agricultores. Quase todos se referem a dor de cabeça, náusea e coceiras, além do cheiro inconfundível.

Fora os casos de intoxicação aguda em que os sintomas mais graves surgem logo após a exposição.

Muitos lavradores não têm, não usam ou não sabem usar corretamente os equipamentos de proteção, como máscaras e macacão, nem têm orientação sobre como armazená-lo ou se desinfetar após aplicar o veneno.


DEPRESSÃO

Assim como as náuseas, sintomas de depressão tomam conta das conversas nos sítios. Antônia lembra que o filho começou a ficar "esquisito" antes de morrer.

Para Dario Xavier Pires, químico e pesquisador da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) que há uma década estuda os casos de suicídio no município, os sintomas são evidentes no contato com produtores e nas conversas informais com profissionais da saúde locais.

A psiquiatra paulista Jussinalva Aguiar explica que "normalmente os casos de suicídio estão ligados a quadros depressivos" que passam despercebidos na rotina do trabalhador rural. Segundo Jussinalva, o tipo de agrotóxico usado no algodão inibe a enzima acetil-colinesterase, causando acúmulo do neurotransmissor acetilcolina e a consequente superestimulação das terminações nervosas.

"A intoxicação por agrotóxico causa variações qualitativas e quantitativas nas sinapses, que agem na alteração do humor. Pode causar tanto sintomas depressivos como manias e agitação."

Em 2004 e 2005, um grupo de pesquisadores da UFMS -entre eles Pires- fez um levantamento sobre os estados depressivos e os níveis da enzima colinesterase em 261 agricultores expostos a organofosforados no município.

Deles, 149 (57,1%) relataram algum sintoma após o uso de agrotóxicos, e 30 apresentaram distúrbios psiquiátricos menores (DPM). Três tentaram o suicídio.


RANKING

Em números absolutos, Mato Grosso do Sul ocupava, em 2002 (último ano disponível), o quarto lugar em suicídios de homens e o segundo de mulheres no Brasil.

No índice de morte por ingestão intencional de agrotóxicos mantido pela Secretaria de Estado de Saúde de MS, a macrorregião geográfica de Dourados (Fátima do Sul mais 14 municípios) lidera. De 1992 a 2002, houve 203 tentativas registradas e 63 mortes por envenenamento.

A cidade de Dourados tem o maior número de tentativas, mas há ali alta incidência de suicídios entre os índios guarani-kaiowá, resultado, sobretudo, do processo de confinamento.

O segundo lugar é de Fátima do Sul. Depois de Mauro, outros dois filhos de Antônia, Jonas e Luiz, também se mataram em um ano. Uma terceira, Cecília, tentou.

Levantamento da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef) para a consultoria alemã Kleffman Group aponta o Brasil como o país que mais consome agrotóxicos.

Em 2008, foram gastos U$ 7,1 bilhões, ante US$ 6,6 bilhões dos EUA, em segundo.

O Serviço de Informações Tóxico-Farmacológicas do Ministério da Saúde registrou, em 2007, 112,4 mil casos de intoxicação. Estima-se que haja subnotificação.

O Ministério da Saúde não tem estudos nem política preventiva de suicídio na zona rural -há divergência entre os pesquisadores sobre a correlação direta entre depressão e agrotóxicos.

"Os estudos feitos nessas populações não são determinantes e ainda não conseguiram comprovar a relação", diz Ângelo Zanaga Trapé, médico toxicologista e professor da Unicamp.


SEM CAUSA-EFEITO

A Andef ressalta que o crivo científico com que são avaliados todos os defensivos agrícolas registrados no Brasil é um dos mais restritivos do mundo, demonstrando extrema preocupação com a segurança dos produtos utilizados nas lavouras.

A Andef entende que não há relação causa-efeito entre agrotóxicos e suicídios comprovada nos estudos citados. "As colocações feitas pelo dr. Ricardo Nogueira, médico psiquiatra autor da tese de dissertação de mestrado "Promoção da Vida e Prevenção de Suicídios no RS" são válidas, havendo a necessidade de estudos adicionais para se comprovar cientificamente essa relação", diz.

MARCELLE SOUZA é recém-formada
em comunicação social com habilitação em
jornalismo pela Universidade Federal de Mato
Grosso do Sul e ganhadora do 1º Prêmio
Jovem Jornalista Fernando Pacheco Jordão,
promovido pelo Instituto Vladimir Herzog.


ENDOLSUFAN SERÁ BANIDO A PARTIR DE 2013

O uso do inseticida endolsufan será proibido a partir de 2013, atendendo a pedido da Anvisa. O agrotóxico, mais comum no cultivo de café, soja e algodão, causaria problemas à saúde. O uso do produto já é proibido em mais de 40 países.

Estes ORGANOFOSFORADOS da família dos drins (Aldrin e Dieldrin entre outros) são utilizados na fabricação de pesticidas e na década de 70 foram banidos da

Europa e dos Estados Unidos. No Brasil, continuaram a ser utilizados até 1989 quando a lei n.º 7.802 restringiu sua fabricação. São substâncias que destróem microorganismos no solo e provocam desequilíbrios ecológicos. No organismo humano causam doenças de estômago e câncer.


NOTA DE CRÉDITO

Os títulos e textos acima foram reproduzidos na íntegra de publicação no jornal Folha de São Paulo de hoje (17/jul/2010), na página B6 do caderno Mercado.


Crime Ambiental Shell/Basf

Os organosfosforados integram os produtos causadores do crime de contaminação ambiental e humana cometido pela Shell/Basf no bairro Recanto dos Pássaros, em Paulínia.

Veja AQUI toda a história desta luta.

No curso das investigações sobre este crime ambiental surgiu a questão da contaminação pelos pesticidas "drins". Estes ORGANOFOSFORADOS da "família dos drins" (Aldrin e Dieldrin entre outros) são utilizados na fabricação de pesticidas e na década de 70 foram banidos na Europa e nos Estados Unidos.

No Brasil, continuaram a ser utilizados até 1989, quando a lei n.º 7.802 restringiu sua fabricação. São substâncias que destróem microorganismos no solo e provocam desequilíbrios ecológicos. No organismo humano causam doenças de estômago e câncer.

 

[ Indique a um Amigo ] [ Imprimir ] [ Voltar ]

[ Deixe seu comentário ]